domingo, 27 de janeiro de 2013


Colegas:

Continuo batendo na tecla de que houve contribuições semelhantes e benefícios diferentes, causando distorções elevadas. Ainda existem colegas que procuram negar esta dura realidade. Sobre o tema, transcrevo, abaixo, resposta que enviei ao Faraco e compartilhei nos grupos de discussão.
Estou aguardando somente que a PREVI divulgue a rentabilidade de 2012 para concluir e enviar ao Grupo Temático da ANABB, proposta sugerindo mudança nos critérios de reajustes da PREVI.
Abraço,

Carvalho

"Prezado Faraco:

Você insiste em defender o indefensável. Já cansei de divulgar exemplos hipotéticos e reais. Já elaborei e divulguei planilhas imensas.
Sempre admitir que o achatamento salarial contribuiu muito para a redução dos benefícios. Eu fui vítima da mudança de política salarial do Banco.
Tenho registrado e você insiste em negar que mudanças de estatutos e regulamento também contribuíram para discrepâncias nos benefícios.
Basta observar e isto eu tenho registrado, insistentemente, que foram criados 4 plano diferentes, dentro do plano I.
Quem se aposentou até dezembro de 1997 o benefício é complementar, ou seja, se mantém, independente de oscilações da Parcela PREVI e de elevação ou achatamento do benefício do INSS, diferente de quem se aposentou depois..
Até novembro de 2005 todos que se aposentaram pós 1997 perderam com a Parcela PREVI, que era reajustada por critérios diferentes do benefício PREVI e do INSS. Tudo que foi perdido, se capitalizado ao longo da permanência do benefício, tem implicação  maior do que você imagina. Você é matemático, deve saber dos reflexos do presente ao longo do tempo.
Em dezembro de 2005 houve redução da parcela PREVI. A maioria dos aposentados teve melhoria de benefícios, outros neutralizaram os efeitos.Ainda existem os que continuam no prejuízo, como seria o seu caso.
Em 2005, mais uma vez a PREVI cometeu um equívoco ao admitir o reajuste da Parcela PREVI o mesmo concedido aos funcionários da ativa. Os  aposentados voltaram a perder benefícios. Vejamos:
- De 2006 a 2012 o índice de reajustes do Banco acumulado foi de 61%
- De 2006 a 2012 o índice de reajustes do INSS acumulado foi de 58%
Neste caso a perda acumulado foi de 3% que projetada até o final do benefício pode ser significativa.
Mantenho a minha tese de que houve contribuições semelhantes para benefícios diferentes. Vejamos:
João, Maria e Jose,  contribuíram durante 27 anos com a mesma base.
Em 2005 todos tinham a mesma comissão. O vencimentos padrão era R$ 3.000,00 e proventos totais de R$ 5.000,00. Contribuiam sobre R$ 4.080,00 (136% do VP)
João se aposentou em junho de 2007 recebendo R$ 4.080,00 sendo R$ 950,00 do INSS e R$ 3.130,00 da PREVI.
Maria perdeu a comissão em 2006, também se aposentou em 2007 com R$ 3.000,00, sendo R$ 950,00 do INSS e R$ 2.050,00 da PREVI. Por ter contribuído 27% a menos que João em 1 ano, teve seu benefício reduzido em 27%. Este é um exemplo  claro de Contribuições semelhantes, benefícios diferentes, mesmo tendo se aposentado no estatuto antigo. Ou não?  
Jose continuou comissionado, se aposentou em 2001. Como não teve reajustes, seu benefício foi calculado em R$ 4.080,00 (136% do VP). A parcela PREVI era de R$ 1.330,00. Valor estimado do INSS R$ 1.150,00. Jose recebeu suplemento da PREVI de  R$ 2.750,00 (4.080,00 – 1.330,00). Somado a R$ 1.150,00 do INSS , totaliza benefício de R$ 3.900,00. Por conta dos reajustes da PREVI (1998 a 2001) João estava recebendo R$ 5.800,00 e Maria R$ 4.290,00. A reserva de poupança de todos foi rentabilidade com o mesmo índice. Jose, mesmo tendo contribuído mais começou a receber 33% menor que João e 10% menor que Maria.
Outro indicativo: O benefício médio pago pela PREVI em 1999, corrigido pelo IGPDI, em 2011 era de R$ 12.498,00. O benefício médio pago pela PREVI em 2011 foi de R$ 7.155,00, ou seja sofreu uma redução de 43%.
É com base neste exemplos,  meu caro Faraco, que continuo afirmando que para contribuições semelhantes houve benefícios diferentes. Costumo chamar  de distorção e injustiça que precisam ser corrigidas, fazendo o sonhado alinhamento do Plano. Paim discorda e depois chamou de erro. Foi tendencioso ao identificar somente 3 situações que prejudicaram os aposentados pré-67. Prefere ver a parte, esquecendo do todo.
E Você, que nome atribui a este fenômeno?
Abraço,

Carvalho


Prezado Carvalho,
 Discordo que haja benefícios diferentes para contribuições iguais. Isso é impossível de ocorrer porque o cálculo do benefício é feito com base nos salários de participação corrigidos e as contribuições incidem sobre o salário de participação. Não há amparo matemático para sua afirmativa.
 Você continua menosprezando os efeitos negativos do achatamento salarial, este sim o maior (não único) responsável pelas discrepâncias de benefícios. Para você ter uma idéia, aposentei-me no cargo de Gerente Geral de agência recebendo um benefício inicial equivalente a 71% de minha remuneração na ativa. Se tivesse aposentado pelas regras de 1997, o benefício seria de 75% daquela remuneração (depois elevado para 90% sem qualquer contribuição adicional). Ocorre que 71% da remuneração total que recebi de setembro/90 a agosto/91 é maior do que 75% de parte da remuneração de quem ocupou meu posto no período em que não houve reajuste salarial. Digo parte porque receberam verbas remuneratórias que eu não recebi, sobre as quais não contribuíram.
 Do meu benefício, a PREVI não abate R$ 1.858,80 referente à Parcela Previ (27/30 de R$ 2.065,33 se não estiver enganado) mas abate integralmente  os R$ 1.699,56 que recebo do INSS. Portanto, se me fosse aplicada a regra de 97, eu estaria perdendo R$ 159,23 (1.858,80 – 1.699,56) em razão da Parcela Previ. Veja que é um valor pequeno para ser apontado como causa das discrepâncias entre benefícios concedidos em épocas diferentes, quando as remunerações e consequentemente as contribuições eram muito diferentes.
 A PREVI contribuiu em parte para as discrepâncias na medida em que excluiu do salário de participação os abonos, as participações no lucro e parte de outras verbas, como o Diferencial de Mercado, por exemplo. Todavia, é preciso entender que essas remunerações não carrearam recursos para o Plano 1. Assim sendo, se for realizada uma revisão dos benefícios incluindo essas verbas sem que tenha havido contribuições estarão sendo transferidos recursos de uns para outros, o que em termos técnicos se denomina “transferência entre gerações”. Isso não faz parte da filosofia dos planos de benefícios e não encontra amparo legal porque caracteriza “apropriação indébita”.
 Repito que na época os sindicatos deveriam ter lutado pela inclusão de todas as formas de remuneração no salário de participação e, consequentemente, nos benefícios. Não o fizeram. Agora não é possível transferir o custo para os demais, que recebem exatamente pelo que contribuíram. E cujas contribuições geraram superávit, que lhes pertence e não pode ser utilizado por outros.
 Abs
 Faraco – São Paulo SP

4 comentários:

luiz fernando disse...

Prezados, é a primeira vez que visualizo este site, achei interessante, e mostra pessoas com esclarecimentos bem embasados,de fácil comunicacão. Quanto as diferencas do Plano 1, passaríamos que aprofundar mais. entre como culpado,o Governo, BB e PREVI,PREVI-CARIM.Antes o pessoal da ativa quando completava 25 anos de INSS, recebia o tal pé na cova,que era em torno de 30% sobre o valor do INSS; a Carim tinha financiamento que os colegas se constrangiam ao falar em comentar o quanto pagavam de prestacão - até 89 - imóvel de mesmo valor de mercado, os colegas pagavam ,como exemplo, R$ 85,00 a mensalidade e ao final do prazo quitava o saldo,ao passo que novos financiamentos se pagava R$ 1.100,00(Isto em 1991).Depois veio o corte dos anuênios e a pá de cal foi em 1997,o fim das promocões automáticas, que passaram de 9%,12%,para ínfimos 3% por trienio, com o amém do sindicato. Depois disso, coisas mais recentes,e já pordemais - comentadas como -PAQ,Parcela PREVI,Nova Carim, Renda Certa.

Anônimo disse...

Carvalho, s/a "matematica" do Faraco se diz popularmente: CEGO EH AQUELE QUE NAO QUER VER.

Antonio Carvalho disse...

Prezado Luiz Fernando:
Seus comentários são procedentes. De fato, a partir de 1990 a situação piorou muito para os funcis do BB. Muitos dos ajustes refletiram na PREVI. Pelas mudanças, conforme já detalhei, resultaram em 4 Plano I dentro do mesmo Plano I. Um absurdo! Difícil de ajustar.
Abraço,

Carvalho

Antonio Carvalho disse...

Esta discussão minha com Faraco já vem há mais de 2 anos.
Fiz novo comentário mas detalhado, com mais exemplos, sobre as distorções dos benefícios. Já postei no blog.
Ele insiste em querer contradizer a realidade dos números. São vários exemplos e vários processos na justiça.
Vou aguardar o novo comentário