terça-feira, 21 de outubro de 2014

ECONOMISTAS DEFENDEM BANCOS PÚBLICOS


Leia abaixo, matéria divulgada pela imprensa sobre debate promovido pela ANABB dia 20/10.
Nestes momentos finais para decisão do Presidente da República a Bolsa de Valores tem oscilado com muita frequência, para cima ou para baixo.
Abraço,
Carvalho

"Arminio nega ter defendido privatização do banco e Teixeira defende autonomia operacional do BC

Por Eduardo Campos e Alex Ribeiro | De Brasília


O ex-presidente do Banco Central Armínio Fraga, "nomeado" ministro da Fazenda em um eventual governo Aécio, disse ontem aos funcionários do Banco do Brasil que "não há e nunca houve a ideia de privatizar" a instituição. Já o coordenador do programa de campanha de Dilma Rousseff, Alessandro Teixeira, acusou o partido adversário de implantar o "modelo tucano do corta, diminui, dilacera".
Os dois economistas concederam entrevista, em eventos separados, à Associação Nacional dos Funcionários do Banco do Brasil (Anabb). Arminio, falando em videoconferência, procurou mandar uma mensagem tranquilizadora aos cerca de 220 mil funcionários dos três principais bancos federais, em meio a acusações da campanha de Dilma de que o tucano pretende reduzir o papel dessas instituições na economia.
"Se depender de nós, o futuro do BB é brilhante, é competitivo, forte e bem capitalizado", disse Arminio, negando a intenção de promover enxugamentos no quadro de empregados dos bancos federais, sua fusão ou conter a sua expansão.
O ex-presidente do BC disse que os pontos que vai lutar são o aparelhamento e a politização. Arminio mencionou como exemplo o caso de Henrique Pizzolato, ex-diretor do BB que fugiu do país para escapar de condenação no caso do mensalão. No lugar, disse, a proposta é estimular a meritocracia.
Sobre o Banco Central, ele reafirmou que a instituição é peça fundamental da defesa da moeda de um país e que a proposta do candidato tucano é dar autonomia para o BC, sem mexer na lei neste momento. "Mas o Aécio já deixou claro que poderia discutir esse assunto também."
Ele enfatizou que entre as missões do BC estão suavizar os ciclos econômicos e zelar pela estabilidade do sistema financeiro. "Não caímos na armadilha ultraliberal de que as coisas se resolvem por si."
Ainda sobre a atuação dos bancos públicos, Arminio defendeu que os gastos relacionados a programas sociais ou a atuação dos bancos em políticas públicas constem em Orçamento. No caso do BB, o economista acredita que, se isso acontecer, as ações do banco seriam negociadas com um desconto menor que o atual em comparação com os pares privados.
Já Teixeira defendeu o fortalecimento dos bancos públicos, o que pressupõe, disse, planejamento e participação dos quadros dos bancos. "Tenho certeza de que, sempre que a oposição promete fazer alguma coisa, eles fazem o contrário. Eles acreditam em redução do tamanho dos bancos públicos."
Sobre o Banco Central, Teixeira reiterou que seu partido é contra a independência do BC, mas favorável à autonomia operacional informal. "Seguimos rigorosamente o que se determina com relação a inflação", disse. Segundo Teixeira, um BC com autonomia em lei seria um quarto poder, um poder apartado".
Teixeira disse que, ao contrário do que diz a campanha de Aécio, o modelo do governo Dilma não fracassou. "Acho que os economistas usam de má fé para discutir os conceitos de crescimento e desenvolvimento. PIB não quer dizer nada em termos de desenvolvimento. Ajuda, mas, sem justiça social e distribuição de renda, de nada adianta." Ele disse que, hoje, o Brasil é mais respeitado no exterior. "Essa visão de passar o chapéu, ser subserviente tem que ser abolida. A elite tosca que temos, e faço parte dela, acha que o futuro do mundo é Miami. E nem os americanos acham isso. Brasil tem que erguer a cabeça e seguir com seu projeto de soberania nacional."


Um comentário:

Anônimo disse...

Assisti as duas entrevistas e para mim ficou evidente que o sr. Teixeira estava mais interessado no proselitismo em favor de sua candidata. Já o sr. Armínio Fraga, do alto de sua reconhecida competência, falou o mínimo, de forma direta, dando ao assunto o tratamento merecido. E deixou bem claro que a ideia é dar real autonomia operacional ao Banco Central, subordinando-o, porém, às diretrizes econômicas do governo central. Essa estória de quarto poder é falácia do PT.

Luiz Faraco