quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

FUNDOS DE PENSAO E A PETROBRAS

Disponibilizo, abaixo, matéria jornalística que trata de ação Americana contra a Petrobrás e as relações com Fundos de Pensão. Diante de denúncias do envolvimento com o caso Lava Jato, as ações da Petrobrás estão se desvalorizando bastante.
Abraço,
Carvalho.

 
"Fundos de pensão brasileiros podem definir destino da Petrobras

 Ação movida por investidor em Nova York deve ganhar adesão de fundos de pensão que detêm papéis da Petrobras: os maiores são o próprio Petros, a Previ e a Funcef Ana Clara Costa
Sede da Petrobras, no Rio de Janeiro (Leo Correa/VEJA)

Os fundos de pensão de estatais, Petros (Petrobras), Previ (Banco do Brasil) e Funcef (Caixa Econômica Federal), definirão o tamanho da ação que está sendo movida nos Estados Unidos contra a petroleira brasileira. Como são alguns dos maiores acionistas institucionais da empresa, podem requerer indenização para seus cotistas se aderirem ao processo que está em curso na Justiça americana.
Na noite de segunda-feira, o investidor americano Peter Kaltman protocolou uma ação no tribunal de Nova York pedindo ressarcimento pelas perdas que teve com a compra de ações da Petrobras na Bolsa de Nova York. Os títulos de empresas estrangeiras negociados nos EUA são chamados de American Depositary Receipt (ADR). Como se trata de uma class action, que na tradução literal pode ser chamada de 'ação de classe', outros investidores que também compraram ADRs da empresa podem aderir. Na segunda-feira, o site de VEJA adiantou que ao menos dez fundos estrangeiros e brasileiros já se preparavam para entrar no processo. Cerca de 30% das ações da Petrobras estão listadas nos Estados Unidos.

O papel dos fundos de pensão será definitivo. Segundo fontes que acompanham o desenrolar da ação, a expectativa é de que fundos de pensão americanos e canadenses entrem no processo até o final desta semana. Contudo, o que definirá se a indenização pedida será milionária ou bilionária é a participação dos fundos brasileiros que detêm ADRs por meio de gestoras de recursos estrangeiras, como é o caso de Petros, Previ e Funcef. Vale lembrar que uma class action de mais de 7 bilhões de dólares quebrou a petroleira Enron, nos Estados Unidos, após denúncias de fraudes em balanços.
No aspecto político, não há qualquer sinalização de que fundos cujo comando está nas mãos de membros do governo e aliados se prontifiquem a processar a Petrobras. Afinal, a estatal, tudo indica, tem sido um poderoso braço de captação de recursos para partidos políticos, como PT, PMDB e PP, conforme mostram os delatores recentemente ouvidos pelo juiz Sérgio Moro, que conduz as investigações da Operação Lava Jato.

Ocorre que os beneficiários do fundo podem requerer, em assembleia de costistas, que os administradores ajam em seu benefício - minimizando as perdas que tiveram com os investimentos nas ações da estatal. A pressão interna dos aposentados e pensionistas junto aos gestores, afirmam as fontes, será a única forma de viabilizar a adesão dos fundos no período limite determinado pela Justiça americana. Os investidores têm até o dia 6 de fevereiro para aderir à 'class action'.
Assim como os investidores pessoa física, os pensionistas também padeceram com a desvalorização das ações da estatal. Entre 2008, quando a empresa atingiu seu ápice na Bolsa, e 2014, as ações se desvalorizaram em 72%. A ação protocolada na Justiça americana prevê ressarcimento apenas durante o período de 2010 a 2014, quando as perdas chegaram a 46%.

Fundos privados brasileiros já começam a se movimentar para definir sua adesão. O problema, segundo as fontes, é que eles também temem represálias por parte do governo, apesar de nada terem a ver com o setor público. Uma das formas previstas pelos advogados para avaliar a tensão com o Palácio do Planaltose é aderir ao processo por meio de CNPJs dos próprios fundos, e não de bancos ou gestoras de recursos".

8 comentários:

Marcelino Maus disse...

A Diretora de Administração tem poder de, INDIVIDUALMENTE, ingressar com pedido de Indenização pelos prejuízos causados pela GESTÃO FRAUDULENTA na PeTrobrás !

Trata-se de uma Ação que busca resguardar interesses da PREVI e do PB1.

Caso o CD se manifeste contrário... DAÍ ENTÃO SABEREMOS QUEM SÃO OS VENDILHÕES.

Digo mais: qualquer Participante, individualmente, poderia faze-lo !

Marcelino Maus disse...

Solicito a qualquer colega que souber opinar sobre:

Regulamento da PREVI:
"Seção IV – Da Portabilidade
Art. 19 – Ao participante que optar pelo inciso IV do artigo 8º será assegurado o direito de portar os recursos financeiros correspondentes ao seu direito acumulado para outro plano de benefícios de caráter previdenciário operado por entidade de previdência complementar ou sociedade seguradora autorizada a operar o referido plano.
Art. 20 – São requisitos para elegibilidade à portabilidade:
I – cessação do vínculo empregatício do participante com o patrocinador;
II – cumprimento da carência de 3 (três) anos de vinculação do participante ao plano de benefícios.
Parágrafo único – Não será permitida a portabilidade caso o participante esteja em gozo de benefício ou renda."

O parágrafo único me parece caracterizar CLÁUSULA LEONINA, que deve ser desprezada pelo TST e STJ.

Alguém sabe de algo a respeito ?

Estou disposto a DEBANDAR da PREVI, antes que a VACA ou a ANTA JÁ PARAR NO BREJO.

SE os benefícios propostos pelo ITAU ou BRADESCO são inferiores aos do PB1, unamo-nos, solicitemos que o BRADESCO e/ou + ITAÚ criem um fundo Especial para egressos da PREVI.
Duvido que esses Bancos resistam a absorver Reservas de R$1.000.000,00 a 2.000.000,00 de DEZ MIL ou VINTE MIL ou TRINTA MIL desassistidos da PREVI. Vou consultar a Bradesco e Itaú Previdência.

O PT vai desfalcar todas as Estatais e seus Fundos de Pensão antes de findar os 4 anos da Dilsimulada - nunca vi uma anta derramar lágrimas de crocodilo, até hoje, hoje derramou.

Anônimo disse...

Carvalho, será que alguém pode trocar essa reportagem em miúdos para que possamos entender melhor, e o que acarretaria para nós, como brasileiros e como donos da Previ, qualquer uma das posições tomadas?

Anônimo disse...

Quem determina decisões e atitudes da PREVI é o Executivo Federal. Aliás, Congresso e Judiciário são comandados também pelo Governo Central.

Anônimo disse...

Caro Marcelino,

Creio que aquele parágrafo único nos detona.
Na nossa situação o melhor seria aderir a Ação dos americanos. Será que passa?

Adaí Rosembak disse...

Caro Carvalho,

Seu artigo está sensacional.
Por coincidência também lancei em meu blog outro artigo abordando o mesmo tema. O lançamento de minha nota saiu um pouco atrasada devido a problemas de ordem particular.
Gosto tanto de seu blog que o lancei como um dos meus prediletos. Nunca perco a oportunidade de ler e analisar com apuro suas notas tão bem elaboradas. Além do que , como você está dentro da PREVI, sempre tem novidades e notas quentes a apresentar.
Que tal incluir meu blog como um dos seus favoritos? Desculpe-me a cara de pau de fazer essa solicitação mas me sentiria muito honrado com essa deferência.

Um abração

Do já amigo, admirador e leitor assíduo

Adaí Rosembak

Adaí Rosembak disse...

Caro Carvalho,

Pelo fato de você estar como dirigente da PREVI e, portanto, dispor de acesso a informações mais sólidas, pergunto-lhe se as aplicações da PREVI na Petrobrás estão todas em ADRs ou se também estão em ações adquiridas na Bovespa.
Gostei muito de sua análise principalmente no que concerne à possibilidade de interferência do Governo para inviabilizar ações legais dos fundos de pensão.
É importante que você nos mantenha atualizados sobre o assunto.

Um abração

Adaí Rosembak

Anônimo disse...

Só para esclarecer, a ENRON não era uma empresa petroleira e, sim, distribuidora de energia.

Abraço e parabéns pelo blog.

Francisco Sérgio