quarta-feira, 18 de março de 2015

PREVI - RESULTADO 2014 - COMENTÁRIO


A Diretoria da PREVI apresentou nos dias 13 e 14 de março o resultado de 2014 e respondeu questionamentos dos participantes. Está disponível no site: WWW.previ.com.br. Faço, abaixo, resumo e comentários pessoais. Farei novos comentários, após apresentação do Relatório da Administração:

1 - O ativo total (R$ 168 bilhões) foi 2% menor que o registrado em 2013. O Plano 1 tem aplicado 56% em Renda Variável, concentrado no setor de mineração e 33,61 em Renda fixa.  Ao contrário, o Plano Previ Futuro tem 32,84% aplicado em Renda Variável e 51,46% em Renda fixa e obteve rentabilidade bem superior.

2 - No Plano 1, a reserva matemática (montante exigido para pagamento dos benefícios até o final do plano, a valor presente), R$ 122 bilhões, cresceu 7% em relação a 2013. No exercício de 2014 houve um déficit Técnico de R$ 12,2 bilhões. Diante disto, o superávit acumulado que era de R$ 24,7 bilhões em 2013 foi reduzido para 12,5 bilhões em 2014. Para revisão do plano com melhorias de benefícios é necessária a existência de reserva especial, ou seja, superávit acumulado maior que a reserva de contingência, atualmente seria de R$ 30 bilhões (25% da reserva matemática). Destaco que, mesmo tendo havido déficits anuais em 2008, 2010, 2011, 2013 e 2014, no período de 2005 a 2014 houve superávits acumulados e reservas especiais, usadas para revisão do plano e repartidas com o Banco, por força da Resolução 26/2008 que tanto temos lutado junto ao Senado para sua reforma, através do PDS 275/2012. Acredito que muitos Fundos de Pensão irão registrar déficits. Sabe-se que a FUNCEF (Caixa Econômica) e o Postali (Correios) apresentaram déficits acumulados nos últimos 3 exercícios e agora estão discutindo elevação de contribuições/redução de benefícios, para equilibrar os planos.

3 - A baixa rentabilidade (2,55% Plano 1 e 7,64% Previ Futuro) foi determinante para o fraco desempenho. A meta atuarial, exigida para manter o plano em equilíbrio era 11,54%. No Plano 1, destaco as rentabilidades: Renda fixa (13,08%). Foi superior a TMS -Taxa Média selic (10,9%) e a meta da PREVI que era de 12,07%. Investimentos imobiliários (13,75%). Foi inferior a meta do segmento (16,3%). Renda Variável (-4,43%). Foi inferior ao IBRX, (-2,7% (índice composto pelas 100 ações mais negociadas.

4 - Para a baixa rentabilidade contribuíram substancialmente: A desvalorização da Petrobrás em 37.5% em relação a 2013, afetada pela operação Lava Jato; A desvalorização da Vale do Rio Doce em 30%, afetada pela queda do preço do minério de ferro e retração do mercado externo. A PREVI tem aplicado na Vale 22,2% do ativo total do Plano 1 e 41,2% da carteira de renda variável, via Litel, com acordo de acionistas até 2017. Continua desenquadrada.  As aplicações são avaliadas desde 2002 pelo valor econômico, (fluxo de caixa descontado), conforme Instrução SPC 34/2009 e deliberação CVM 699/2012 e apresentam diferenças em relação ao valor de mercado (ações da Vale). Em 2014 a avaliação econômica (R$ 31,7 bilhões) apresenta relativas oscilações no período de 2007 a 2014.  O valor de mercado que é muito volátil foi 45% menor que o valor econômico em 2014. Já nos exercícios de 2007, 2009, 2010 e 2012 o valor de mercado foi superior ao econômico em 38%, 39%, 41%, 5%, respectivamente.

Antonio J. Carvalho

 

3 comentários:

Cassiano freitas disse...

Parabéns meu colega. Você nos presta um grande serviço através do seu blog. Sou seguidor do seu blog e leio todas as suas postagens. Uma ótima quinta-feira. Um forte abraço.

Anônimo disse...

Com sucessivos déficits anuais, sendo a aplicação em renda variável a vilã do portfólio, por que a recorrente concentração neste ativo, na contramão dos bancos que auferiram ganhos faraônicos em títulos públicos. Que lógica é essa, cujo mérito é convertido em bônus de 500 mil anuais aos seus gestores???????????????

Anônimo disse...

Que lástima esta baixa rentabilidade!

Imóveis, Renda Fixa, Empréstimos à Participantes, Letras de Câmbio, CDB, Poupança e muitas outras aplicações, deveriam ter aplicações ATÉ O LIMITE MÁXIMO ORÇADO/ENQUADRADO que não estaríamos nesta situação desastrosa, com VALE, PETROBRÁS, SAUIPE, SETE BRASIL, NEOENERGIA e por aí vai....