quinta-feira, 4 de junho de 2015

CASSI NA UTI - PRECISA SOLUÇÃO

Tenho lido dezenas de propostas, sugestões e comentários sobre os problemas da CASSI. Pediram minha manifestação. Confesso que não tenho domínio do assunto que é complexo.  Logo, não entrarei em detalhes.
Em minha opinião, os problemas da CASSI resultam de duas situações bem definidas:
1 – Estrutural: As despesas crescem muito mais que as receitas, levando ao efeito tesoura, aprendido nos cursos de análises de Balanço do Banco. Isto ocorre porque a inflação médica é bem superior à inflação oficial, ou seja, as contribuições são reajustadas pelos índices de reajustes dos salários e dos benefícios e os custos dos serviço são bem superiores. O valor que pagamos no plano é bem inferior ao que se paga em outros planos no mercado. Não cobrem os custos do Plano em sua totalidade;
2 – Administrativo: É necessária melhorar a gestão dos parcos recursos disponíveis, com revisão do modelo de saúde e dos processos e melhoria do acompanhamento e controle dos procedimentos médicos e em especial das despesas. Sabe-se também que alguns prestadores abusam do plano, cobrando por serviços e equipamentos desnecessários e superfaturado, conforme amplamente divulgado na mídia. Existe de outro lado, desatenção com os prestadores. Faltam orientações, flexibilidade e vontade para solução de problemas burocráticos e pontuais.
Também entendo que cabem reflexões às propostas apresentadas pelo Banco. Entendo que:
1 – Não há como se abrir mão do princípio da solidariedade que norteou a criação da CASSI. Isso pode piorar ainda mais a situação de muitos colegas que precisam usar com mais frequência os serviços médicos. Não dá para aceitar esta alternativa.
2 - Repassar a provisão que consta no balanço do Banco de R$ 5,83 bilhões para a CASSI, livrando o Banco de compromissos futuros, não me parece adequado. Conforme notas explicativas do balanço do Banco de 2014 o passivo atuarial é de R$ 6,3 bilhões.
3 – Não sou atuário, mas, acredito que as premissas atuariais de Saúde (incontroláveis), são muito diferentes da previdência (controláveis). Basta observar que em 2014 o Banco usou como premissa atuarial inflação de 6,6%, muito distante dos percentuais usados para corrigir os planos de saúde e mais distantes, ainda, da inflação médica que foi de 16% em 2014 e está projetada em 18% para 2015. Este percentual é cerca de 3 vezes o que será usado para corrigir nossas contribuições (associados e Banco). A conta não fecha.
Finalmente, não há dúvidas de que a CASSI encontra-se na UTI e que precisa de um tratamento imediato e adequado. Não há como o Banco se esquivar de participar deste tratamento. Ele, Banco, patrocinador e maior responsável pela gestão, deveria ser o primeiro a encarar este grave problema de frente e contribuir, efetivamente, para estruturar soluções que não prejudiquem ainda mais os associados (ativos e aposentados).
 Concluindo, entendo que Devemos ter muita cautela na aprovação mudança no Estatuto.

Antonio J. CARVALHO.

2 comentários:

Adaí Rosembak disse...

Carvalho,

Absolutamente precisa e honesta sua análise.
Parabéns.

Adaí Rosembak

Adaí Rosembak disse...

Caro Carvalho,

Leio e leio , vejo análises longas e opiniões daqui e dali mas sempre caímos em dois pontos de difícil solução.
1 - A negativa do BB em contribuir para resolver esse problema de forma adequada e justa visto que é também um assunto de sua responsabilidade.
2 - a inflação dos serviços médicos que tende a crescer cada vez mais.
Sob esse aspecto é complicado o entendimento com hospitais, clínicas e médicos, visto que o interesse deles é elevar os custos e despesas cada vez mais, tanto para aumentar os lucros como para cobrir a capacidade ociosa de equipamentos e especialistas de custo elevado.
Ou seja, são em princípio, interesses incompatíveis e antagônicos.
Mas é preciso convence-los de que um entendimento tem de ser implementado para a sobrevivência do Plano Associados.
E aí eles vão alegar que o plano foi criado dentro de bases insustentáveis e,
dessa forma, não vai conseguir sobreviver.
Por isso , acho que, mais cedo ou mais tarde, vamos ter de aplicar ao Plano Associado formas de administração do Plano Família, senão o Plano Associados vai afundar ou sufocar os usuários.
Como você, também me confesso não ser um grande entendedor de CASSI, mas sua avaliação é absolutamente precisa, objetiva é lógica.
E é de precisão, objetividade e lógíca que precisamos para chegar a qualquer solução.
Mais uma vez parabéns pelo excelente artigo.

Adaí Rosembak