quarta-feira, 23 de março de 2016

DÉFICIT DOS FUNDOS DE PENSÃO NA MIDIA

A imprensa vem divulgando os resultados dos Fundos de Pensão. Vejamos:
O jornal "O Estado de São Paulo", em edição de 23/03/2016 destaca que o déficit dos Fundos de Pensão pode totalizar R$ 70 bilhões em 2015, mais que o dobro de 2014.

O jornal "Folha de São Paulo" destacou em 20/03/2016 que a PREVI, FUNCEF e PETROS negam que há ingerência política. Informa que, com patrimônio de R$ 292,2 bilhões, 495 mil participantes, o déficit deste 3 fundos pode chegar a R$ 49,2 bilhões em 2015 e a maior parte dos prejuízos se deve à queda de ações da Vale do Rio Doce.

O jornal "O Globo" em 23/03/2016 informa que o déficit acumulado do Postalis (100 mil trabalhadores) é de R$ 7 bilhões e que pode haver elevação de contribuições e redução de benefícios.

Já o Presidente da ABRAPP - Associação Brasileira das Entidades Fechadas de Previdência Complementar - publicou em 16/03/2016 que o déficit de R$ 70 bilhões não é rombo e nem é necessariamente causado por má gestão. Das 223 Entidades que administram R$ 732,5 bilhões 115 registraram superávits e 108 foram deficitárias. Entende que o déficit é conjuntural.

Na PREVI, o déficit acumulado foi de R$ 16,1 bilhões. Olhando-se apenas 2015 o déficit foi de R$ 28, 6 bilhões, uma vez que em 2014 existia um superávit de R$ 12,5 bilhões. Somando-se os exercícios de 2014 e 2015 o resultado foi deficitário em R$ 40,8 bilhões, isso porque, em 2013 havia um superávit de R$ 24,7 bilhões. De acordo com a Lei e pelas mudanças feitas pelo CNPC - Conselho Nacional de Previdência Complementar – deverão ser equacionado R$ 2,9 bilhões no prazo de 18 anos (Patrocinador e Participantes), a depender de resultados futuros. Não significa dizer que a PREVI realizou prejuízo. Esse é um retrato contábil, estático que pode mudar de acordo com o humor da Bolsa de Valores.

Destaco que a Vale do Rio Doce, Banco do Brasil, Neoenergia, Petrobrás e Bradesco contribuíram com (R$ 13,4 bilhões) para o déficit. Somente o impacto negativo da Vale foi de (R$ 7,8 bilhões). O minério de ferro, que em 2011 era vendido a U$ 190 dólares a tonelada, caiu para U$ 48 em 2015. Hoje gira em torno de U$ 58 dólares.

Oportunamente, voltarei a comentar sobre o resultado e o Relatório da Administração.

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Antonio J. CARVALHO. 


2 comentários:

Jorge Teixeira - Araruama (RJ) disse...

No último pregão da Bovespa de 2015, que serve para balizar o resultado do exercício em termos de investimentos em ações, o ibovespa fechou em 43.349 pontos. Ontem, 23.03.16, esse mesmo ibovespa fechou com 49.960 pontos, apresentando queda de 2,59%. Neste ano de 2016, até ontem, o ibovespa já subiu mais ou menos 11%. Imagino que as provisões matemáticas devam crescer ainda mais em 2016, com a aposentadoria de alguns colegas “mortais” e dos ainda “imortais” que se encontram sem teto, que sabe Deus até quando irão existir. Estou fazendo essas considerações com o intuito de supor que ao final de 2016, quando o conselho deliberativo deverá informar a Previc qual será o plano elaborado para cobertura do déficit equacionado de 2,90 bilhões, possamos ter encontrado um ponto de equilíbrio com a subida do ibovespa para patamares que permitam não haver sangria nos benefícios, nem tampouco aumento nas contribuições de aposentados & pensionistas do “PB-1”.

Antonio Carvalho disse...

É verdade, Jorge, o valor do patrimônio da PREVI oscila muito em relação à bolsa de valores. As reservas matemáticas aumentam com a inflação. Sim, é verdade, caso em 2016 os ativos da PREVI aumentem e o déficit seja reduzido nos patamares aceitáveis pela resolução do CNPC não haverá necessidade de elevar contribuições. Mesmo o cenário para 2016 não seja dos melhores, como sou otimista, acredito que não teremos elevação de contribuições em 2017, mas ainda é muito cedo por uma avaliação mais consistente. Com a bolsa aos 50 mil ponto é um bom indicativo. Vamos acompanhar.